sábado, 18 de outubro de 2008

Ausência...

Por muito tempo achei que a ausência é falta.


E lastimava, ignorante, a falta.


Hoje não a lastimo.


Não há falta na ausência.


A ausência é um estar em mim.


E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,


que rio e danço e invento exclamações alegres,


porque a ausência assimilada, ninguém a rouba mais de mim.



Carlos Drummond de Andrade

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